Emergências médicas mais frequentes

■ Convulsões e febre;
■ Obstrução da via aérea superior por corpo estranho;
■ Estridor laríngeo;
■ Patologia respiratória, nomeadamente mal asmático e bronquite agudizada;
■ Diarreia;
■ Desidratação;
■ Intoxicações.

► Febre
A febre constitui uma resposta fisiológica do organismo perante agressões externas. As crianças, são mais sensível ás alterações de temperatura apresentando uma maior labilidade nos seus valores perante uma agressão externa. Por vezes, devido à exacerbação dos sintomas a equipa de socorro é chamada a intervir perante uma criança com febre.

Sinais e sintomas:
- Pele quente e rosada;
- Sudorese;
- Temperatura axilar superior a 37,5ºC;
- Convulsões nos casos mais graves.

Actuação:
- Manter uma atitude calma e segura;
- Aplicar medidas de arrefecimento à criança antes e durante o transporte para o hospital;
- Retirar toda a roupa à criança e cobri-la com uma toalha embebida em água tépida. NUNCA USAR ÁGUA FRIA OU ÁLCOOL, pois provocam arrepios. Os arrepios, como contracções musculares que são, resultam num aumento de temperatura e não em arrefecimento;
- Proteger a criança do contacto com correntes de ar.

Técnica Para o Arrefecimento Corporal:
- Disponibilizar duas toalhas;
- Encher um balde com água tépida;
- Retirar a roupa à criança;
- Mergulhar as toalhas no balde, retirar uma e torcê-la, abri-la e cobrir toda a superfície do tronco, incluindo a região inguinal (virilhas);
- Aconchegar a toalha, sem esfregar. Substituir a toalha logo que a primeira comece a ficar quente;
- Repetir o processo descrito até normalizar a temperatura.
- Ter sempre o cuidado de tapar a criança durante o transporte de casa até à ambulância até ao hospital.

► Convulsões
A causa mais frequente de convulsões é a febre. No entanto, as crises convulsivas podem resultar de patologia pré-existente: epilepsia e ou lesões cerebrais.
Outra das causas importantes que se encontram na origem de quadros convulsivos é o TCE, pelo que se deve proceder ao despiste deste tipo de situações.

Actuação:
- Manter uma atitude calma e segura;
- Manter a permeabilidade das vias aéreas;
- Evitar que a criança se magoe;
- Estar preparado para fazer ventilação artificial, caso se dê paragem ventilatória;
- Administrar O2 a 10 lt/min;
- Nas situações de febre, despir a criança e proceder ao arrefecimento corporal;
- Transportar ao hospital, mantendo vigilância da ventilação e da temperatura, com acompanhamento de pessoa conhecida da criança.

► Obstrução da Via Aérea Superior por corpo estranho
Sinais e sintomas:
- Estridor (som sibilante e agudo à inspiração);
- Tosse e rouquidão;
- Disfonia (dificuldade em falar);
- Sialorreia (aumento exagerado da saliva);
- Tiragem;
- Posição de sentado com extensão do pescoço.

Actuação:
Deve evitar manobras que aumentem a ansiedade e o choro da criança pois este facto provoca o agravamento da dificuldade respiratória. A criança deve ser transportada para o hospital com suporte de O2 a 12 lt/min e se possível na companhia de uma pessoa de quem a criança gosta.

► Estridor Laríngeo
O Estridor Laríngeo é um sinal frequente em pediatria e que pode constituir uma ameaça à vida da criança. Trata-se de uma obstrução patológica da via aérea e como tal, a actuação dos meios de socorro, não médicos, consiste em não deixar agravar a situação e conduzir a criança rapidamente até à unidade de saúde ou obter apoio médico.

Causas mais frequentes:

- Laringite (inflamação da laringe);
- Epiglotite (inflamação da epiglote).

Sinais e sintomas:
- Estridor laríngeo (som agudo e sibilante à inspiração);
- Cianose;
- Tiragem;
- Sudorese;
- Disfonia.

Actuação:
- Manter uma atitude calma e confiante, evitando que a criança chore ou fique ansiosa pois irá aumentar a dificuldade respiratória;
- Detectar se a obstrução é parcial ou total;
- Manter as vias aéreas permeáveis;
- Administrar O2 a 15lt/min;
- Transportar rapidamente (mas em segurança) ao hospital na posição mais confortável, acompanhada por alguém da sua confiança.

► Patologia Respiratória – Asma e Bronquite Agudizada
Tal como nas emergências médicas para os adultos as causas são as mesmas e os sintomas apresentados também.

Exame da criança:
- Verificar o estado de consciência. Os estados de sonolência são geralmente indicativos de maior gravidade;
- Verificar o comportamento e posicionamento da criança. Nas crises ligeiras, as crianças geralmente preferem estar sentadas, nos ataques graves a criança apresentar-se-á exausta e fazendo esforço para ventilar, podendo estar confusa, prostrada ou agitada;
- Verificar a presença de cianose ao nível das mucosas e pele;
- Distensão venosa (veias do pescoço sobressaídas);
- Observar os movimentos do tórax procurando sinais de esforço ventilatório;
- Verificar a existência de estridor;
- Saber se a criança tem febre, secreções ou tem história de doença arrastada ou recente (aponta mais para uma bronquite agudizada);
- Saber se a criança tem histórias de alergias e a quê (CHAMU).

Actuação:
- Manter uma atitude calma e confiante de modo a acalmar a criança e os familiares;
- Remover a criança do local onde se encontra, no caso de suspeitar da existência de substâncias alergénicas e desencadeadoras da asma;
- Administrar O2 a 10 lt/min, tendo o cuidado de obter a colaboração da criança pois se for contra sua vontade existe a probabilidade de se agravar a função respiratória;
- Despistar a febre e caso exista actuar em conformidade;
- Transportar ao hospital, na posição em que a criança preferir, acompanhada por alguém de que goste, vigiando os sinais vitais.

► Diarreia
A causa mais frequente de diarreia, é a infecção gastrointestinal, muitas vezes provocada por deficientes condições higiénicas, ou pela ingestão de alimentos deteriorados.
Uma diarreia com quinze ou mais dejecções líquidas por dia é considerada grave, pois provoca desidratação podendo levar à morte, se não for tratada atempadamente.

Actuação:
- Manter uma atitude calma e confiante;
- Avaliar, caracterizar e registar os sinais vitais;
- Pesquisar sinais de desidratação. Pele seca, apatia, sede, prega cutânea, afundamento da fontanela, diminuição do número e quantidade de urina por dia, pés e mãos transpirados e nas situações mais graves, CHOQUE;
- Recolher dados sobre a situação, recorrendo à nomenclatura CHAMU e sobre:
- Frequência das dejecções e consistência das fezes;
- Perda de apetite, vómitos;
- Febre;
- Se a criança estiver bem consciente e tolerar, deve administrar-lhe pequenos golos de água;
- Proceder ao transporte, proporcionando acompanhamento à criança por alguém de quem goste.

► Desidratação
Perda excessiva de líquidos e sais minerais do organismo. As causas são: vómitos, diarreia, febre, queimaduras, insolação, transpiração abundante ou reduzida ingestão de líquidos.Esta última situação ocorre com maior regularidade em bebés ou crianças pequenas dependentes do adulto, para satisfação das suas necessidades e na altura do verão ou quando submetidas a temperatura ambiente mais elevada.

Sinais e sintomas:
- Sede;
- Lábios e língua secos, saliva grossa e branca;
- Pele seca, olhos mortiços sem brilho, prega cutânea;
- Apatia (indiferença);
- Diminuição da quantidade de urina (Diurese - urina menos vezes e em menor quantidade);
- As extremidades, pés e mãos podem estar frias e transpiradas (como a desidratação, consiste em perda de líquidos, a criança pode apresentar sinais de choque, dependendo do grau de desidratação);
- Afundamento da fontanela (moleirinha).

Actuação:
- Manter uma atitude calma e confiante;
- Dar água a beber em pequenos golos, se a criança estiver bem consciente, se não, humedecer-lhe os lábios várias vezes;
- Avaliar e registar os sinais vitais e o estado de consciência recorrendo à nomenclatura AVPU;
- Proceder ao transporte.

► Intoxicações
Cerca de 90% das intoxicações acidentais, ocorrem na idade pediátrica, sobretudo na idade pré-escolar, em que elas mexem em tudo e comem ou bebem qualquer coisa. De entre os agentes tóxicos ingeridos salienta-se a lixívia, tintas, petróleo, verniz, detergentes, medicamentos...

Sinais e sintomas:
- A suspeita de intoxicação deve estar sempre presente perante um quadro com a seguinte sintomatologia:
- Alteração aguda do comportamento;
- Convulsões;
- Ataxia (alterações na marcha, nomeadamente desequilibro e dificuldade em controlar os movimentos);
- Coma;
- Alterações do ritmo respiratório e cardíaco.

Actuação:
- A actuação é a mesma que nos adultos tendo em atenção as doses de Carvão Activado e do Xarope de Ipeca a administrar.
- Tal como em qualquer intoxicação é importante a recolha de informação através do CHAMU e respondendo ás questões:
- O quê?
- Quanto?
- Quando?
- Deverá ainda estar atento à necessidade de manter as vias aéreas permeáveis e de iniciar manobras de reanimação a qualquer instante. O CIAV - 808250143 - deverá sempre ser contactado.

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