Intoxicações

Vias de Intoxicação:
- Via Digestiva (Ingestão);
- Via Respiratória (Inalação);
- Via Cutânea (Contacto com a pele);
- Via Ocular (Contacto com os olhos);
- Por injecção (Mais frequente nos toxicodependentes);
- Picada de animal.

Dados importantes a recolherem perante uma vítima de intoxicação:
- O quê (Tipo de tóxico);
- Quanto (Quantidade de tóxico);
- Quando (À quanto tempo);
- Onde (local da intoxicação);
- Quem (Identificação do intoxicado);
- Como (Forma como entrou no organismo).

Características do intoxicado:
- Idade e sexo;
- Gravidez;
- Doenças e hábitos;
- Condições em que ocorreu a intoxicação: quantidade, hora e se houve ingestão de outras substancias;
- Com ou sem ingestão de alimentos;
- Com ou sem ingestão de medicação;
- Quais os tratamentos já efectuados por iniciativa própria, familiar ou médica;
- É o primeiro episódio.

Exame do Intoxicado:
- Estado de consciência: AVPU e reacção pupilar;

Pesquisa de lesões e sintomas:
- Lesões na pele e mucosas (Queimaduras);
- Lesões oculares;
- Hálito;
- Vómito;
- Convulsões;
- Secreções.

Cuidados de emergência:
- Exame da vítima: AVPU e CHAMU;
- As medidas específicas a efectuar diferem consoante a via de contacto. É de salientar a necessidade de existir em todas as ambulâncias material de protecção individual e descartável, nomeadamente luvas, aventais e máscaras, cuja utilização está indicada na presença de determinados tóxicos:

► Via Inalatória:
- Remover a vítima do ambiente contaminado;
- Tirar as roupas contaminadas;
- Manter a vítima aquecida;
- Administrar O2 a 15 lt/min e fazer ventilação artificial, se necessário.

► Via Cutânea:
- Tirar roupas contaminadas;
- Lavar abundantemente com água corrente e sabão;
- Não aplicar produtos químicos.
► Via Ocular:
- Lavar com água corrente, durante cerca de 15 min, mantendo as pálpebras afastadas (Não usar produtos químicos).

► Via Parentérica:
- Imobilizar o intoxicado (os movimentos aumentam a velocidade da absorção).
NOTA: A situação de intoxicação mais frequente por esta via é a intoxicação por opiáceos:overdose que ocorre vulgarmente nos toxicodependentes.

As situações mais frequentes são:
- Alteração do estado de consciência podendo chegar ao coma;
- Pupilas extremamente contraídas (miose);
- Diminuição da frequência ventilatória, podendo chegar à paragem respiratória ou cárdio-pulmonar;
- Cianose e sudorese;
- Visualização do local de punção;
- História prévia de toxicodepência.

Actuação em caso de overdose:
- Exame e abordagem da vítima de acordo com o ABCDE;
- Permeabilização da via aérea e se necessário ventilação artificial;
- Se a ventilação estiver inferior a 10 cl/min assistir a ventilação;
- Administrar O2 a 15 lt/min se inconsciente;
- Estimulação vigorosa do toxicodependente.

► Picada de Animal:
- Colocar o intoxicado em repouso absoluto pois os movimentos aumentam a absorção do tóxico;- Desinfectar o local da picada;
- Não fazer incisão, sucção ou colocação de garrote.

► Via Digestiva:
- Para evitar a absorção dos tóxicos ingeridos, dispomos de várias técnicas:
- Esvaziamento gástrico (indução do vómito e aspiração/lavagem gástrica);
- Absorção do tóxico pelo carvão activado;
- Administração de purgante.
- Pode-se induzir o vómito por estimulação mecânica usando os dedos, o cabo de uma colher ou uma espátula.
- Administrando drogas como por exemplo o xarope de ipeca, o xarope é um agente emético (induz o vómito) de grande eficácia, inofensivo e de grande utilidade, principalmente, em pediatria.
- Para se induzir eficazmente, é necessário aumentar o conteúdo gástrico, administrando 200/300 ml de água.
- Para evitar a aspiração do vómito, com os consequentes problemas de pneumonia ou asfixia, tem de se atender ao posicionamento do doente, o qual deve estar sentado e inclinado para a frente.
- As crianças pequenas, enquanto a acção do emético não se verifica, devem permanecer sentadas e, durante o vómito a posição ideal é deitada no colo em decúbito ventral.

As contra-indicações da indução do vómito, dependem da fase da intoxicação e da natureza do tóxico, assim temos:
- Vítima inconsciente, sonolenta ou sem reflexo do vómito;
- Vítima em choque;
- Ingestão de corrosivos, pois o vómito aumenta a probabilidade de lesão esofágica e perfuração;
- Ingestão de convulsionantes, pela grande probabilidade de desencadear convulsões;
- Ingestão de tóxicos que façam espuma, pelo perigo de asfixia;
- Ingestão de grande quantidade de drogas depressoras do sistema nervoso central, pelo perigo do intoxicado ficar inconsciente enquanto aguarda o seu efeito e poder aspirar o vómito. Nesta situação deve optar pela estimulação mecânica;
- Vítimas muito debilitadas ou com patologia cardíaca ou vascular;
- Na ingestão de petróleo e derivados a indicação de induzir o vómito depende do tipo de produto, da quantidade e das substâncias dissolvidas.

Absorção do tóxico pelo carvão activado
- Tem uma grande capacidade de absorção dos tóxicos.
- As contra-indicações da administração do carvão activado:
- Antes do xarope de ipeca actuar pois absorve a ipeca;
- Quando é necessário fazer endoscopia pois limita a observação;
- Quando da ingestão de derivados do petróleo ou corrosivos.

Uma boa observação da vítima e a aplicação precoce das medidas que evitem a absorção do tóxico, podem impedir que o quadro clínico se agrave.
Um intoxicado é uma vítima como outra qualquer, mesmo quando se trata de um toxicodependente ou suicida, nunca se deve manifestar reprovação ou desprezo.

O CIAV, tem um papel fundamental neste tipo de situações, pelo que é importante, sempre que possível, estabelecer contacto com este subsistema. CIAV (Tel.) – 808250143

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