Sinais e sintomas de gravidade

Para reconhecer a existência de uma doença grave é fundamental a colheita de uma história concisa o que facilita uma melhor compreensão da situação, a observação correcta e rápida o que permite uma intervenção adequada e a sua monitorização para detectar eventual agravamento e reajuste de atitudes.
Falência Respiratória Iminente
A patologia respiratória é a mais comum na idade pediátrica, e se a maior parte das vezes se trata apenas de doenças sem gravidade, outras podem no entanto pôr em risco a vida da criança. Para avaliar a gravidade do quadro respiratório há que ter em conta:

Esforço Respiratório
- Aumento da frequência respiratória/respiração irregular;
- Tiragem (se presente em crianças mais velhas indica problema respiratório grave);
- Adejo nasal;
- Balanceio da cabeça;
- Gemido expiratório;
- Estridor inspiratório (ruído tipo guincho/sibilar que acompanha a inspiração).
Alteração da ventilação
- Apneia (ausência de movimentos respiratórios);
- Palidez;
- Cianose (por vezes mascarada pela palidez);
- Sudação;
- Taquicardia a qual pode evoluir para bradicardia (factor de maior gravidade e que antecede a Paragem Cárdio-pulmonar);
- Alteração do estado de consciência: agitação ou sonolência e coma nos casos mais graves;- Nalgumas situações específicas pode não ser evidente o esforço respiratório aumentado, mesmo em falência respiratória iminente. De lembrar ainda que outras doenças, que não respiratórias, podem apresentar os mesmos sinais. Num lactente pequeno os sinais de dificuldade respiratória podem constituir mesmo, uma manifestação inespecífica de doença.
► Falência Circulatória Iminente
Na idade pediátrica a falência circulatória surge em regra na sequência de falta e O2 e falta de sangue circulante. Na avaliação da falência circulatória há que ter em conta as variações com a idade, da frequência cardíaca e tensão arterial. Num lactente uma frequência inferior a 60 bpm corresponde a um bradicardia acentuada com circulação ineficaz.
Sinais indirectos de falência circulatória:
- Pele marmoreada e fria (branca e enrugada);
- Alterações do pulso;
- Dificuldade respiratória, sobretudo taquipneia;
- Agitação, sonolência, coma;
- Diminuição acentuada da quantidade de urina;
- A hipotensão e o pulso filiforme são sinais tardios e graves deste tipo de falência, pelo que se torna crucial o diagnóstico do choque na sua fase inicial (compensado) implicando medidas de socorro e transporte atempadas de modo a evitar o seu agravamento.
► Falência Iminente do Sistema Nervoso Central
Para o reconhecimento de potencial falência do sistema nervoso central há que realizar uma avaliação neurológica rápida e sumária.
Esta avaliação baseia-se essencialmente em:
- Estado de Consciência
- Deve recorrer-se à nomenclatura AVPU:
----> A – Alerta
----> V – Reage à voz
----> P – Reage à dor
----> U – Sem resposta (não reage)
Pontuação P ou U implica alteração grave da consciência
► Reflexos Pupilares à Luz (ver Observação pupilar)
- Pupilas contraídas (Miose);
- Pupilas assimétricas (Anisocória);
- Pupilas dilatadas (Midríase).
► Postura/Resposta à Dor
- Hipotonia (criança sem reacção ou sem força muscular);
- Assimetrias.
► Repercussão Respiratória
- Aumento da Frequência respiratória;
- Respiração irregular com momentos de Apneia;
- Apneia.
► Repercussão Circulatória
- Hipertensão
- Bradicardia
Midríase bilateral, anisocória, hipertensão arterial, bradicardia, e padrão respiratório anómalo e/ou alterações na postura são sinais de sofrimento cerebral e implicam tratamento emergente. Na presença de convulsões importa observar as suas características, não esquecendo que se mantidas podem originar lesões irreversíveis do Sistema Nervoso Central.
► Administração de Oxigénio
A criança é bastante sensível à diminuição de O2, as suas células entram facilmente em sofrimento. A criança tem maior facilidade em recuperar, desde que lhe forneçamos o O2 rapidamente, preferencialmente por máscara de O2.
Para que a administração de O2 a uma criança consciente, seja bem sucedida, é fundamental a sua aceitação. Deste modo, deverá mostrar a máscara à criança e aplicá-la previamente em si, ou na mãe, para servir de exemplo.
Deve ainda deixar que a criança possa pegar na máscara e manuseá-la de modo a reduzir os seus medos.Se a criança continuar a recusar a administração de O2, é preferível não insistir demasiado, uma vez que a agitação vai provocar-lhe tensão e consequentemente maior insuficiência ventilatória.
A administração de O2, é obrigatória, em todas as situações em que a criança se encontra inconsciente, apresenta hemorragias graves, choque ou sinais de dificuldade respiratória evidentes. Nestas situações o débito indicado é de 10 e 15 lt/min, consoante a gravidade.

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