Traumatismo Crânio-Encefálico - TCE

Vários são os mecanismos traumáticos capazes de provocar lesões cerebrais de entre os quais se destacam o trauma fechado. O trauma penetrante é uma situação rara entre nós, normalmente, é causado por projécteis ou nas situações em que ocorrem fracturas cranianas com afundamento.
O encéfalo tal como qualquer outro tecido, quando sujeito a um impacto reage com edema, e em algumas situações com hemorragia. Consequentemente ocorre um problema de espaço, uma vez que o cérebro ao aumentar de volume não tem por onde se expandir ficando progressivamente mais comprimido dentro da estrutura óssea que o protege, originando a situação chamada hipertensão intracraniana.
Esta compressão acarreta sofrimento das estruturas nervosas por diminuição da irrigação sanguínea e consequente oxigenação dado que as artérias que as irrigam se encontram também comprimidas bem como que a pressão arterial não é ainda mais grave perante a hipotensão arterial de acordo com a fórmula:

Pressão da perfusão cerebral =
Pressão arterial média + Pressão intracraniana

Assim, é extremamente importante evitar a hemorragia e hipotensão arterial.

► As lesões que podemos encontrar nos TCE são:
- Hematomas do couro cabeludo;
- Feridas do couro cabeludo;
- Fracturas de crânio;
- Perfurações intracranianas;
- Hemorragias intracranianas;
- Edema cerebral.

► A gravidade destas lesões depende apenas de:
- Quais as estruturas do cérebro atingidas;
- Qual a dimensão do edema ou hemorragia;
- Qual o tempo de sofrimento cerebral.

Nos casos em que ocorre a hemorragia, o edema é agravado pois as estruturas nervosas em contacto directo com o sangue, reagem com este como se tratasse de um corpo estranho, provocando uma reacção inflamatória que se traduz por agravamento do edema.
Quando esta hemorragia se dá ao nível das meninges – Hemorragia subaracnoídeia ou subdural, forma-se um hematoma que embora não esteja em contacto directo com o tecido nervoso, acaba por provocar lesão cerebral por compressão.
O oxigénio constitui um elemento vital para as células nervosas.
Nos T.C.E., como vimos, a distribuição deste gás encontra-se afectada pelo que é primordial importância fazer com que a sua concentração seja rapidamente aumentada de modo a diminuir o sofrimento das estruturas cerebrais.
Sinais e sintomas:
- Alterações do estado de consciência, que podem ir desde o estado de alerta até à ausência de resposta passando pela desorientação no tempo e no espaço;
- Alterações da simetria e reactividade à luz a nível pupilar;
- Lateralização da resposta motora dos membros;
- Lesões cranianas evidentes (lacerações, assimetrias, hematomas, fracturas);
- Perda de líquido céfalo-raquidiano ou sangue pelos orifícios da cabeça;
- Cefaleias, tonturas;
- Náuseas ou vómitos;
- Perturbações na visão;
- Alterações nos sinais vitais, por vezes associadas com:
---- Pulso rápido e fraco na tentativa de manter a irrigação cerebral na presença de hipotensão arterial;
--- Ventilação rápida e superficial ou lenta com períodos de apneia por lesão do centro respiratório;
--- Hipertensão arterial que surge como resposta fisiológica do organismo na tentativa de manter a irrigação cerebral na presença de edema.
No caso de hipertensão intracraniana poderá existir hipertensão arterial associada a pulso lento (bradicardia);
--- Hipertermia por desregulação do centro termoregulador;
--- A presença de traumatismos associados, nomeadamente acima da clavícula, devem determinar suspeita de T.C.E.:
---- Convulsões;
---- Inconsciência.
Nota:
Todas as vítimas com T.C.E. devem ser tratadas como tendo traumatismo vertebro-medular.
Actuação:
- Manter uma atitude calma e segura;
- Permeabilizar a via aérea através da elevação do maxilar inferior;
- Administrar O2 a 10lt/min através de máscara balonete. Nos casos de diminuição acentuada de frequência respiratória o débito deve ser elevado para 15lt/min e administrado por ventilação assistida;
- Manter a imobilização cervical ao longo deste procedimento;
- Controlar hemorragias e despistar o choque. As hemorragias ao nível do crânio devem ser cuidadosamente comprimidas evitando a pressão sobre as fracturas. As hemorragias provenientes dos orifícios naturais devem ser tapadas com compressas esterilizadas sem efectuar compressão. Nunca explorar ou inserir compressas em orifícios traumáticos. Qualquer hemorragia deve ser rapidamente controlada a fim de evitar a hipotensão arterial.
- Avaliar e registar o estado neurológico através da nomenclatura AVPU, avaliação pupilar e da resposta motora;
- Expor a vítima, mantendo a temperatura corporal e tendo em atenção a privacidade da vítima, de modo a se proceder à observação sistematizada na busca de traumatismos associados;
- Avaliar, registar e vigiar os sinais vitais;
- Recolher o máximo de informação sobre o mecanismo do trauma e sobre a vítima recorrendo à nomenclatura CHAMU;
- Efectuar a observação sistematizada de modo a detectar eventuais lesões associadas;
- Transportar ao hospital mantendo a vítima imobilizada em maca estabilizadora de Vácuo ou plano duro com imobilizadores de cabeça;
- Elevar o leito da maca a 30º, se possível;
- Em choque, posição a 180º.

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