Traumatismos torácicos

A avaliação destas situações deve pressupor a existência de outras lesões associadas:
- Traumatismo Vertebro-medular
- Traumatismo Abdominal

Tipos de traumatismos torácicos:
- Traumatismo Aberto
- Traumatismo fechado

Casos que merecem destaque:
- Feridas provocadas por armas de fogo
- Feridas provocadas por objectos empalados

Os traumatismos abertos podem facilitar a avaliação das lesões deles resultantes na medida em que a localização da ferida e o conhecimento das circunstâncias em que ela foi produzida podem fazer suspeitar de determinado tipo de lesões.
Embora a presença de sinais (marcas, equimoses, ou abrasões) ao nível da parede torácica possa sugerir determinadas lesões no caso de um traumatismo fechado a verdade é que, frequentemente, esses sinais são poucos ou nenhuns. Um caso particular merece destaque: as feridas provocadas por armas de fogo. Nunca esquecer que a um orifício de entrada de um projéctil geralmente (mas nem sempre) está associado um orifício de saída, quase sempre maior.
Nunca partir do princípio que um projéctil segue sempre em linha recta e não se fragmenta, basta que o projéctil atinja uma estrutura óssea. Num traumatismo aberto provocado por um objecto empalado nunca se deve tentar a remoção do mesmo, deve-se controlar a hemorragia estabilizar o objecto da melhor maneira (envolvendo com compressas e tapando tudo com um copo de plástico invertido).

As lesões resultantes de traumatismos torácicos podem ser de vários tipos mas existem 6 situações que representam risco de vida imediato e que exigem uma intervenção rápida, passível de ser realizada em ambiente extra-hospitalar:
■ Pneumotórax aberto: resulta na entrada de ar para o espaço pleural através de uma solução de continuidade da parede torácica. Essa entrada de ar condiciona o colapso do pulmão, consequente alteração da ventilação e má oxigenação. O diagnóstico é evidente à inspecção constatando-se a existência de uma ferida que produz um ruído característico (de aspiração), é extremamente importante tapar o orifício a fim de evitar o aparecimento ou crescimento do pneumotórax.
■ Hemotórax maciço: resulta da rápida acumulação de sangue no espaço pleural, em quantidade igual ou superior a 1500cc. A perda de sangue é complicada com a má oxigenação resultante do colapso pulmonar.
■ Pneumotórax Hipertensivo: resulta da entrada de ar para o espaço pleural através de uma solução de continuidade da parede torácica ou do próprio pulmão e em que um mecanismo valvular permite a entrada desse ar mas impede a sua saída do espaço pleural. Os principais elementos de diagnóstico são dispneia (falta de ar), desvio da traqueia, choque distensão das veias do pescoço e cianose. Esta situação evolui rapidamente para a morte se não se proceder à rápida descompressão do pneumotórax, acto que apenas pode ser executado por um médico.
■ Retalho Costal (Vollet Costal): surge quando um segmento da parede torácica deixa de estar em sincronia com o resto da grelha costal em consequência da fractura de várias costelas. Este segmento vai sofrer um movimento paradoxal (para dentro durante a inspiração e para fora na expiração), característico desta lesão. A gravidade desta situação não resulta apenas deste movimento, mas sim da confusão pulmonar subjacente que condiciona má oxigenação tecidular. O tratamento inicial consiste em optimizar a ventilação e a oxigenação bem como na imobilização.
■ Tamponamento Cardíaco: resulta da acumulação de sangue no saco pericárdico (espaço existente entre as duas membranas que revestem o miocárdio), interferindo com a actividade do coração ao reduzir de forma drástica o enchimento das cavidades cardíacas.
Actuação Geral:
- Manter uma atitude calma e segura;
- Avaliar o politraumatizado seguindo rigorosamente os passos do exame da vítima segundo a nomenclatura ABCDE e AVPU;
- Administrar O2 a 10lt/min, controlar a hemorragia;
- Avaliar, registar e vigiar os sinais vitais;
- Prosseguir o exame da vítima, efectuar o CHAMU, e observação sistematizada para detecção de lesões associadas;
- Transporte rápido mas seguro para o hospital.
Actuação Específica:
■ Pneumotórax Aberto
- Selar imediatamente a ferida com um penso estéril que impeça a passagem de ar. Esse penso deve ser suficientemente grande para cobrir completamente a ferida e permitir a sua fixação cutânea em todo o perímetro, excepto num dos vértices, este procedimento permite a saída de ar durante a expiração, reduzindo o risco de converter um Pneumotórax aberto num Pneumotórax hipertensivo.
- Vigilância apertada dos sinais vitais nomeadamente dos parâmetros ventilatórios.
Pneumotórax Hipertensivo
- Vigilância apertada dos sinais vitais nomeadamente dos parâmetros ventilatórios.
- O tratamento Pré-Hospitalar desta situação é da responsabilidade do médico, pelo que a equipa de socorro deve garantir a sua presença no mais curto espaço de tempo possível.
■ Hemotórax Maciço
- Vigilância apertada dos sinais vitais nomeadamente dos parâmetros ventilatórios;
- Despistar o choque e actuar em conformidade.
- O tratamento Pré-Hospitalar desta situação, como já foi referido, é da responsabilidade do médico, pelo que a equipa de socorro deve garantir a sua observação no mais curto espaço de tempo possível.
■ Retalho Costal Móvel ou Vollet Costal
- Vigilância apertada dos sinais vitais nomeadamente dos parâmetros ventilatórios;
- Fixar a zona móvel com almofada presa com tiras de adesivo;
- Despistar o choque e actuar em conformidade.
■ Tamponamento Cardíaco
- Vigilância apertada dos sinais vitais nomeadamente dos parâmetros ventilatórios;
- Despistar o choque e actuar em conformidade;
- Transportar rápida e seguramente para unidade hospitalar, de preferência com a valência de cirurgia cárdio-torácica.

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